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Surgimento da Sociologia

O conhecimento sociológico espirala dentro e fora do universo da vida social, reconstituindo tanto esse universo como a si mesmo como parte integrante desse processo. ANTHONY GIDDENS

Podemos observar e entender a Sociologia como uma das manifestações do pensamento moderno. Desde Copérnico, a evolução do pensamento era exclusivamente científica. A Sociologia veio preencher a lacuna do saber social, surgindo após a constituição das ciências naturais e de várias ciências sociais. A sua formação constitui um acontecimento complexo para o qual concorreram circunstâncias históricas e intelectuais e intenções práticas. O seu surgimento ocorre num momento histórico determinado, coincidente com os últimos momentos da desagregação da sociedade feudal e da consolidação da civilização capitalista.

A criação da Sociologia não é obra de um só filósofo ou cientista, mas o trabalho de vários pensadores empenhados em compreender as situações novas de existência que estavam em curso.

No final do século passado, o matemático francês Henri Poicaré referiu-se à Sociologia como ciência de muitos métodos e poucos resultados. Ao que tudo indica, atualmente poucos duvidam dos resultados alcançados pela Sociologia. A sua realidade é atestada pelas inúmeras pesquisas dos sociólogos, pela sua presença nas universidades e empresas e nos organismos estatais. Ao lado desta crescente presença da Sociologia no nosso dia-a-dia, continuam porém chamando a atenção de todos os que se interessam por ela os frequentes e acirrados debates travados em seu interior sobre o seu objeto de estudo e seus métodos de investigação.

Saint-Simon acreditava que a nova época era a do industrialismo, que trazia consigo a possibilidade de satisfazer todas as necessidades humanas e constituía a única fonte de riqueza e prosperidade. Percebeu ele que no avanço que estava ocorrendo no conhecimento científico havia uma grande lacuna nesta área do saber, qual seja, a inexistência da ciência da sociedade. Admitia, mesmo tendo uma visão otimista da sociedade industrial, a existência de conflitos entre os possuidores e os não possuidores.

Auguste Comte (1798-1857) foi secretário particular de Saint-Simon, pensador menos original, embora mais sistemático que Saint-Simon, a quem deve suas principais ideias. A motivação da obra de Comte repousa no estado de “anarquia” e de “desordem” de sua época histórica. Segundo ele, as sociedades europeias encontravam-se num verdadeiro estado de caos social. Entendia Comte que se as ideias religiosas impostas não tinham mais forças para reorganizarem a sociedade, muito menos teriam as ideias dos iluministas. Era extremamente impiedoso no ataque a esses pensadores, a quem chamava de “doutores em guilhotina”, vendo em suas ideias o “veneno da desintegração social”. Para ele, para haver coesão e equilíbrio na sociedade, seria necessário restabelecer a ordem nas ideias e nos conhecimentos, criando um conjunto de crenças comuns a todos os homens.

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O termo Sociologia foi então utilizado por Augusto Comte pela primeira vez numa carta de 1824, mas somente em 1838 é que o termo aparece com mais precisão no Cours de Philosofie Positive (Curso de Filosofia Positiva) e se relaciona com a ciência da sociedade.

A primeira cadeira de Sociologia só vai ser criada em uma instituição universitária em 1887. Isso ocorreu na Universidade de Bourdeaux, na França, e estava associada à educação. O primeiro cientista a ocupá-la, até o final da sua vida, em 1917, foi Émile Durkheim. Assumiu a cadeira quando contava então com apenas 29 anos (CARVALHO, 2004, p. 18).

durkheimPrecursor da Sociologia, o pensador David Émile Durkheim (1858-1917) é considerado o pai da Sociologia, visto que foi ele quem propôs um objeto de estudo para esta ciência: o Fato Social. Em seu método de análise, explicitado no livro “As regras do método sociológico”, demonstra os principais conceitos norteadores do pensamento sociológico: solidariedade mecânica, solidariedade orgânica, divisão social do trabalho, caso patológico, anomia.

Ao expor a viabilidade de seu método de pesquisa, Durkheim analisou o suicídio, classificando-o em três categorias – egoísta, altruísta e anômico –, arrolando-o com outros fenômenos sociais. Durkeim defendia a sociedade capitalista como meio de superar as crises e levar as sociedades a evoluírem, uma vez que nela a solidariedade mecânica garantiria a coesão social.

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Outro grande precursor que fundamenta a Sociologia é Max Weber (1864-1920), que propõe, diferentemente de Durkheim, uma objetividade na análise sociológica. Eleestudou a relação entre a religião e a racionalidade econômica, os vários tipos de ação social e de lideranças, denominadas por ele de tipos de dominação legítima (legal, tradicional e carismática). Weber propõe uma Sociologia compreensiva a partir da análise histórica.

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Karl Marx (1818-1883) é outro precursor, pensador clássico da Sociologia. Seus conceitos de infraestrutura e superestrutura, classes sociais, exército industrial de reserva, fetichismo e reificação, ideologia com relação ao Estado e à ciência fortaleceram as possibilidades de compreensão da Sociologia moderna. Sua proposta é de intervenção na sociedade a ponto de propiciar uma tomada de consciência da classe operária para superar o capitalismo.

Texto retirado do Caderno Pedagógico de Sociologia – Secretaria do Estado da Educação – Santa Catarina

Disponível em: http://www.sed.sc.gov.br/secretaria/documentos/cat_view/326-cadernos-pedagogicos-2012. Acessado em: 31/jul/2015

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Sobre Priscila Cardoso

Maria Priscila (SIM! Também sou Maria). Capricorniana com ascendente em virgem = duplamente crítica, chata, perfeccionista.... Sou blogueira viciada em séries, filmes, tecnologias, redes sociais e nas horas vagas sou professora de Sociologia.

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