Início / Artigos / Orientações Curriculares Nacionais

Orientações Curriculares Nacionais

Por Priscila Cardoso

Ainda não há consenso sobre os conteúdos mínimos de Sociologia. As OCNs são um documento norteador que propõe ao professor uma reflexão acerca de suas aulas e não um programa a ser seguido.

As Orientações Curriculares discutem elementos essenciais para a prática de ensino, sem cercear a autonomia do professor. São recomendáveis, tanto aos professores iniciantes, sem experiência, quanto aos professores mais experientes que desejam sair da rotina.

Segundo as OCNs, a simples transposição de conteúdos e práticas de ensino do nível superior para o ensino médio tem sido um dos grandes problemas da disciplina de Sociologia, por ignorância ou por preconceito. Por ignorância, pois alguns professores de cursos superiores não conhecem metodologia de ensino, os diferentes recursos didáticos “que permitiriam um trabalho mais interessante, mais proveitoso, mais criativo e produtivo” (BRASIL, p. 108) adotando aula expositiva como único método em sala de aula. Muitos acreditam que bastam o conhecimento, as informações para que se esteja apto a ensinar algo a alguém. Esse conhecimento é necessário, mas não é o bastante.

É necessário levar em consideração a pluralidade dos alunos, pois, ao contrário do ensino superior, os alunos do nível médio estão na escola obrigados e não por escolha.

Pensando em formas de abordar os conteúdos sociológicos, de modo lógico e compreensível, as OCNs propõem trabalhar com recortes. Tema, teoria e conceito são os três pressupostos metodológicos que podem ser trabalhados juntos, de forma integrada, ou tendo um deles como foco e os outros como acessórios. Não devem ser pensados separadamente, pois não seria possível abordar um recorte sem recorrer aos outros.

Entendemos a teoria como modelo explicativo que reconstrói a realidade. A teoria, seja clássica ou contemporânea, deve ser compreendida no contexto de seu aparecimento e posterior desenvolvimento, o que pode ser chamado de apropriação crítica. A teoria é composta por conceitos e ganha consistência quando aplicada a um tema ou objeto da Sociologia. É possível propiciar ao aluno diversos enfoques teóricos, permitindo-lhe compreender que um fenômeno social poderá ter várias explicações.

O conceito muda de acordo com a história e admite vários sentidos, conforme o autor e a época. O conceito deve ser compreendido em conexão com a teoria, de modo que o aluno entenda sua história e seu sentido como elemento do conhecimento racional que explica e compreende a realidade social. O aluno pode desenvolver uma capacidade de elevar seu conhecimento para além do senso comum ou das aparências, e adquirir domínio de uma linguagem específica no tratamento das questões sociais.

O tema é empírico, concreto, ou seja, faz parte do nosso cotidiano. O professor pode buscar o tema na própria realidade de seus alunos. O objetivo é discutir conceitos, teorias e realidade social em conexão a casos concretos. Não se propõe um tema sem amplo conhecimento do assunto e, tampouco, sem uma ligação entre os conceitos e as teorias que podem explicá-los, caso contrário, se permanece no senso comum. São necessários uma capacidade analítica do professor e fundamentos conceituais rigorosos.

Os três pressupostos metodológicos – teoria, conceito e tema -, trabalhados de forma integrada, contribuem para a construção de um pensamento sociológico, que tem como princípios fundamentais o estranhamento e a desnaturalização. Veremos a seguir os processos de estranhamento e desnaturalização, que poderão ser desenvolvidos ao longo das aulas de Sociologia.

Sobre Priscila Cardoso

Maria Priscila (SIM! Também sou Maria). Capricorniana com ascendente em virgem = duplamente crítica, chata, perfeccionista.... Sou blogueira viciada em séries, filmes, tecnologias, redes sociais e nas horas vagas sou professora de Sociologia.

Verifique também...

Para que serve a Sociologia?

Você é um privilegiado! Leitor: – Como assim, privilegiado? O livro: – É, privilegiado! Você …